Nós já falamos aqui sobre algumas conversas que são pura furada. O linguista alemão Karl Otto Erdmann mostra mais um tipo de papo ruim, mas do qual acabamos participando (ou provocando!) até mesmo sem querer. Ele fala da troca de ideias onde o objetivo não é aprender, mas vencer:
“Como em qualquer disputa, em uma discussão o que está em ação não é o desejo pela verdade, mas o desejo pelo poder”.
Quando a discussão não é sobre uma ideia, mas sobre você
Ele continua explicando que, quando o que está em jogo é o “poder” daqueles que conversam, a lógica sai de jogo e os ataques passam a valer. Em vez de defender pontos de vista, os participantes passam a defender seus sensos de honra:
“O ser humano, que não é um ser especialmente nobre, revela seu lado mais sombrio: a vaidade e a hipocrisia triunfam. Desafiar uma convicção soa como desvalorizar a personalidade, e uma refutação é considerada declaração de inferioridade intelectual portanto, cada um se agarra desesperadamente às suas afirmações; mesmo aqueles que duvidam da legitimidade de sua causa, fazem todos os esforços para, pelo menos, parecer vitoriosos. Assim, atacam muitas vezes de maneira intencional, e outras tantas vezes de forma parcial ou completamente passional com todos os tipos de truques e subterfúgios dialéticos”.
Nos agarramos às nossas ideias, depois fica difícil soltar
Acho que é normal nos apegarmos às nossas próprias ideias. Sempre achamos que estamos certos, né? Acontece que é preciso abrir espaço para as conversas nas quais queremos aprender, ou conhecer uma outra forma de fazer o que fazemos, ou saber mais sobre porque alguém pensa diferente de nós. Alguns papos não precisam ter um vencedor.
(Li essas ideias de Erdmann na edição da Faro Editorial para o livro A Arte de Ter Razão de Arthur Schopenhauer)
(Imagens: Metin Ozer e Korney Violin no Unsplash)
Leia também:
Por que as pessoas não mudam de ideia mesmo quando estão erradas




Deixe um comentário