Vocês viram Mark Zuckerberg todo estropiado na capa da Wired?

Fonte: Wired(Descrição da imagem: Foto da capa da revista Wired. A capa é uma imagem feita em computador que mostra Mark Zuckerberg com arranhões por todo o rosto, um corte no canto na boca e um curativo na sobrancelha direita)

Fonte: Wired

(Descrição da imagem: Foto da capa da revista Wired. A capa é uma imagem feita em computador que mostra Mark Zuckerberg com arranhões por todo o rosto, um corte no canto na boca e um curativo na sobrancelha direita)

A revista trouxe, esse mês, uma matéria longa (mais de 50 fontes!) sobre os últimos dois anos dentro do Facebook e as porradas que a rede levou. O principal problema nesse período? A relação da plataforma de Zuckerberg com os veículos de notícia, as fake news e os posts gerados apenas para conturbar a discussão política nos EUA.

Depois de ler tudo (demorei três dias), cheguei a conclusão de que a solução não é sair do Facebook e falar mal da rede. O que precisamos fazer é mudar como nos relacionamos com ela. E o principal passo é o seguinte: devemos parar de ler notícias no Facebook.

Facebook não é veículo de informação

A matéria da Wired explica muito bem um dilema que tem assombrado o Facebook: ser ou não uma empresa de mídia. Mark continua dizendo que a rede é um lugar para encontrar amigos e parentes. O diretor da parte de notícias, disse o mesmo, recentemente.

Entretanto, o Facebook fechou várias parcerias com veículos de notícia, criou o Instant Articles para melhorar a visualização desse tipo de conteúdo, e investiu na criação de uma departamento de jornalistas para mediar os trending topics.

Em resumo: o Facebook não se diz uma empresa de mídia. Mas não para de flertar com esse mercado. 

E nós, usuários, ficamos como nessa bagunça?

O problema do gatekeeper único

Mesmo que estejamos muito cientes da complicada relação entre o Facebook e os veículos de notícias, temos um problema.

É muito preocupante que todos nós tenhamos trocado vários “gatekeepers” por apenas um. 

Antes da internet plenamente interativa, se usava o termo “gatekeeper” (o guardião do portão) para definir os curadores que tinha o “poder” de decidir que conteúdos seriam publicados. Revistas, programas de TV, jornais, eram guardiões. Os editores destes veículos escolhiam o que era notícia o que não era. E a gente só consumia. 

Com a evolução da internet, isso mudou. Em teoria, os guardiões perderam força. Eu agora posso ver notícia em qualquer lugar, de várias partes do mundo, de diferentes formatos, com variadas fontes. E eu posso também fazer a notícia ou o conteúdo. Eu sou consumidora e gatekeeper. Eu decido. 

Na teoria.

Na prática, não foi bem assim. Hoje, temos variedade sim. Mas temos um só portão. O Facebook. Todo conteúdo produzido na internet acaba parando no Facebook. Todo blog, canal do YouTube, livro digital, pesquisa na internet, site de notícia, é divulgado onde? Isso, no Facebook. Todos os rios desembocam nesse mesmo mar.

Isso é insustentável, porque coloca todas as nossas fontes de informação num mesmo funil, sob um mesmo algoritmo, dentro das mesmas regras. Toda notícia que você lê está à mercê das regras do Facebook. Isso não é só ruim, isso é insano!

A culpa é de Zuckerberg?

O Facebook é uma empresa que quer crescer sempre mais. A parceria com veículos de notícias é lucrativa e a rede não vai recuar tão cedo. 

Até acredito nos esforços declarados de Zuckerberg de tentar tornar essa relação mais clara, ética e transparente. Ainda assim, não podemos ter o Facebook como o único gatekeeper de todo conteúdo que consumimos na internet.

A solução, para mim, é variarmos nossa dieta de informação.

Pessoalmente, uso muito o Feedly para criar uma lista de leitura com todos os meus veículos favoritos. Já decidi a turbiná-lo e torná-lo meu “novo Facebook”.

Vamos voltar a visitar os sites de notícia, vamos acessar diretamente nossos blogs favoritos. Vamos ouvir podcasts pelos aplicativos, vamos ligar as notificações do YouTube.

Vamos abrir vários portões!

7 respostas a “Devemos parar de ler notícias no Facebook”

  1. Pois é. FB não é mídia, mas as midias usam como veículo. Mas penso que o pior é o uso feito pelo internauta. Transformando a ferramenta de encontrar amigos, para divulgação de fakes.Lamentavelmente o problema está no usuário, não no FB.

    1. Avatar de suzana valenca
      suzana valenca

      Pois é, a relação comercial do Facebook com as empresas de informação é confusa. Nós leitores temos que saber que, mesmo que os veículos de notícia postem no Facebook, o que é normal, só vamos ver as mais clicadas, as mais comentadas, as que foram feitas no formato que o Facebook gosta. Vamos, por tanto, ficar muito mal informados se só lermos o que o Facebook mostra para a gente. Temos que abrir mais portões.

  2. Vi agora que a Folha de São Paulo saiu do Facebook.

  3. Pois é, o Facebook deixa a gente numa bolha retroalimentada, é muito louco. O Instagram vai no mesmo caminho (que é a rede que mais uso hoje). Eles podiam inventar uma forma de os veículos poderem usar o Whatsapp. Suzana, adorei seu post. Queria sugerir de você mostrar um pouco o que tem no seu Feedly 🙂

    1. Avatar de suzana valenca
      suzana valenca

      Não é? E o pior de tudo é que esta bolha não está muito clara, então muita gente não percebê-la. Estou aqui batendo na madeira para o Instagram não ficar assim, é a que eu mais uso também junto com o Twitter. Eu li um estudo mostrando que o Whatsapp é onde mais se propiciam notícias falsas. Certamente se houvesse uma forma oficial dos veículos se comunicarem por lá seria bem interessante. Obrigada pelo teu comentário e pela sugestão. Acho que dá um post simpático, vou colocar na pauta. Beijos.

  4. Esse é um tipo de coisa que a gente sabe, mas é bom ser lembrado a respeito de vez em quando. Eu não conhecia o Feedly e fui la ver como é. Adorei e o meu já tá super turbinado. Voltei aqui só pra contar isso…

    1. Que legal que você curtiu o Feedly! O meu tá bem gordinho também. Obrigadão por ter voltado para contar 🙂 A porta está aberta, volte sempre.

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