Vou dizer logo que eu divido a chatice do título com Seth Godin pois, foi inspirada em um texto dele que eu escrevi isso aí. Mas, como eu e ele somos legais, é importante explicar que eu digo isso para o seu bem. Então vamos lá conversar sobre como rejeição pode ser bom.

No seu blog, Godin, o famoso autor de vários livros de negócios, disse o seguinte:

“Se você procura mudar ou faz algo importante, seu trabalho será rejeitado ao longo do caminho. Isso não está em discussão”.

Ele queria argumentar sobre como agir diante de um “não” na carreira. Mas acho que a própria contextualização da rejeição é interessante. O que ele diz é que se a sua ideia for inovadora, provocadora, diferente, relevante, em outras palavras, importante, ela será rejeitada. Pelo menos, inicialmente. Ponto final, ele não vai nem discutir isso. É fato.

A minha interpretação é que, por mais que a aceitação fácil seja ótima, ela pode ser arriscada, pois talvez você esteja apenas repetindo o que foi feito antes. E, por outro lado, o contrário também deve ser verdadeiro. Que as ideias mais rejeitadas, mais difíceis de emplacar, sejam talvez as mais interessantes.

A carinha simpática de Seth Godin. (Slate)

A carinha simpática de Seth Godin. (Slate)

Estou lendo a biografia do neurologista Oliver Sacks e ele parece ter topado com esse problema durante a carreira. Estudando ou participando ativamente das últimas pesquisas na área, Sacks teve seus primeiros livros recusados por várias editoras e publicações especializadas. Fico com a impressão que os outros profissionais da especialidade dele ficavam receosos da ousadia (e brilhantismo) de Sacks. 

“Passei um mês e meio na casa dos meus pais, onde escrevi os nove primeiros relatos de caso de Tempos de Despertar. Quando apresentei aos meus editores na Faber & Faber, disseram que não estava interessados. Também escrevi um manuscrito de 40 mil palavras sobre tiques e comportamentos pós-encefalíticos […] e planejei um tratado. Também foi rejeitado pela Faber”

Depois de vários “nãos”, Tempo de Despertar foi publicado, virou documentário e, posteriormente, um filme, com Robin Williams fazendo o papel de Sacks. Somente.

A melhor foto de Oliver Sacks e Robin Williams juntos! (Tampa Bay Times)

A melhor foto de Oliver Sacks e Robin Williams juntos! (Tampa Bay Times)

Então, dois pedidos. Um, vamos tentar colocar nossas ideias “estranhas” no mundo. Com sorte, elas serão rejeitadas. Assim, poderemos seguir as orientações de Godin e produzir algo relevante. Dois, vamos dar chance para as esquisitices dos outros. Quando você vir alguém divulgando algo meio sem jeito, tenha paciência, talvez dessa parada ruim saia algo revolucionário. 

Imagem do cabeçalho: AgencySpark

2 respostas para “Tomara que sua ideia seja rejeitada”

  1. Bingo! Penso que não significa exatamente aquela bandeira ufanista "sou brasileiro, não desisto nunca", mas … Sim, realmente praticamente a totalidade das ideias diferentes são em princípio rejeitadas. A rejeição dá uma raivinha… que bem pode muito bem ser impulsionadora de aprimoramento, por exemplo. Ou, até, certificação de que a ideia é boa. Bateu vontade de ler o livro.

    1. O livro é maravilhoso, recomendo mesmo!

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