Se você é uma das milhões de pessoas que usam o aplicativo de meditação e ouve o podcast do Headspace, talvez você reconheça que o título “diferentes juntos” foi o tema de uma das conversas do programa há algumas semanas.
Eu ouvi hoje, e parei tudo para fazer alguma anotações, porque essas duas palavras resumiram para mim muito do que eu tenho estudado e conversado com vocês por aqui. Eu acho que o grande desafio de comunicação da humanidade é a ideia de que precisamos aprender a ser diferentes juntos.
Atualmente, no meio das nossas cidades lotadas, solidão é uma das maiores queixas. Com a necessidade de isolamento por conta da pandemia de Covid-19, a situação se agravou. Estamos todos sozinhos. Sozinhos juntos?
Alguns mais velhos podem dizer que “no meu tempo era melhor”. Infelizmente, essa frase está sempre errada, cientificamente falando. Apesar disso, gerações passadas têm razão quando lembram das estruturas sociais que faziam com que as pessoas estivessem sempre em companhia uma das outras. Houve um tempo em que as pessoas iam à igreja. As famílias já foram muito maiores e todo indivíduo tinha vários irmãos e irmãs. As conversas tinham que acontecer pessoalmente, no máximo, por telefone. Todo mundo que você conhecia morava na sua cidade. Os trabalhadores tinham que sair de casa para dar expediente junto com outras pessoas, veja só que coisa louca.
Antigamente, ninguém ficava sozinho. Solitário, imagino que sim, mas sozinho, quase nunca. Parece até legal se não lembrarmos que tivemos um bom motivo para mudar tudo isso. As grandes instituições como igreja e família tradicional deixaram de ser tão fortes porque nós estávamos insatisfeitos com elas. O grande problema do mundo comunitário de antigamente é que ninguém poderia ser diferente. Gays não tinham espaço na missa de domingo. Nem na família tradicional. Não era permitido se divorciar, não era possível escolher não ter filhos. Não dava para ter outra religião e era meio esquisito sair do padrão de se vestir ou cortar o cabelo adotado pela maioria. Estávamos todos juntos, mas não éramos diferentes.
Hoje podemos ser o que quisermos, mas acabamos nos separando em tribos. Os grupos ficaram cada vez mais distintos e separados. Fomos nos distanciando de um jeito que, dependendo dos extremos, fica impossível encontrar espaço para o diálogo. Buscar o semelhante faz muito sentindo para qualquer ser humano e com tantas opções de panelinhas, acabamos nos fechando mais e mais no nosso universo. Com isso, criamos bolhas e arriscamos nos tornar intolerantes.
Acho que o desafio de sermos diferentes juntos é um dos mais importantes para a humanidade neste momento. Habitamos o mesmo planeta e compartilhamos as mesmas dificuldades comuns a qualquer homo sapiens então, como podemos abraçar nossas diferenças superficiais? Nossa vida em sociedade precisa ser mais diversa, mais rica e mais interessante. Precisamos ter espaços para expressões de diferentes culturas, precisamos ouvir diferentes vozes, precisamos aprender com o que nos é estranho. E precisamos fazer isso juntos.
Foto: Christopher Rusev e Christopher Rusev no Unsplash




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