“Quem não odeia ninguém não tem coração”, já dizia o sábio craque Daniel. Qualquer um que já tenha passado um minuto na internet, certamente, sentiu o impulso de retrucar algum post idiota, de reclamar sobre algum absurdo ou de se meter em alguma briga. Nós sabemos que não é a melhor postura, mas às vezes o sangue esquenta rápido.

Em 1940, não existia internet e, aparentemente, o cidadão pacífico se irritava lendo ideias escritas em papel. No classicão Como Ler Livros, Mortimer Adler dá algumas orientações sobre como “brigar” com obras literárias. Os passos que ele propõe são super úteis hoje para nos salvar de discussões nas redes sociais.

Adler indica 3 atitudes que devemos tomar antes de partir para a briga

1 – Não critique até que tenha completado o delineamento e a interpretação da questão.

Não diga que concorda ou discorda até que tenha dito “entendi”. Tenha certeza de que você realmente compreendeu o que foi dito antes de começar a argumentação contrária. Nem preciso dizer que não vale comentar (discordando ou concordando!) sem ter lido tudo, não é?

2 – Não discorde de maneira competitiva.

Ou seja, não inicie uma briga (ops, discussão civilizada) para ganhar ou para humilhar quem você está criticando. Discorde para esclarecer algo, para entender o ponto de vista do outro, para aprender mais ou até mesmo para manter a conversa rolando, já que diferenças nem sempre são negativas.

3 – Demonstre que reconhece a diferença entre conhecimento e opinião pessoal.

São dois passos. Você tem que separar o que no post polêmico é a opinião do autor e o que é um dado comprovável. Em seguida, você tem que fazer o mesmo no seu comentário, mostrando o que é um sentimento seu e o que é um fato.

E aí, vamos “brigar” melhor?

Leia também:

Como brigar na Internet (corretamente)

Não esqueça de perguntar: o que você acha?

Vencer a discussão não resolve o problema

Imagem: Prateek Katyal no Unsplash

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