O médico Vivek Murthy acredita que a comunicação digital não permite entendimentos mais profundos sobre com quem estamos conversando. Isso faz com que achemos que o interlocutor é unica e exclusivamente representado por aquele tweet ou post no Instagram. Para ele, precisamos lembrar que todos temos histórias, sentimentos e motivações mais profundas do que conseguimos expressar na internet.

Murthy foi surgeon general do governo Obama e voltou ao cargo agora com o presidente Biden. Na sua primeira incurssão, ele passou anos estudando a saúde dos norte-americanos e percebeu que a solidão era um “sintoma” silencioso de várias das doenças que encontrou em suas viagens pelo país. Os resultados da pesquisa estão no livro O Poder Curativo das Relações Humanas.

Falando ao podcast Offline, Murthy comentou sobre as redes sociais:

“Em uma interação com alguém … Quando você percebe que alguém é pai, por exemplo, você pode imaginar por um momento que ele provavelmente ficou acordado até tarde se preocupando com o filho. Quando você sabe que alguém pode ter perdido o emprego, você [pode pensar]: ‘. Ei, eu me lembro como foi quando perdi meu emprego e como isso foi assustador’. Mas [na conversa online] nós não temos nenhuma dessas pistas, certo? Porque nós não gastamos nem um segundo para entender alguém ou conhecer alguém”.

“É fácil tratá-los como a ideia da ideologia que eles representam ou como o partido político do qual eles podem ser membros. Mas as pessoas são muito mais do que a sua filiação política. Há muito mais do que o ponto de vista dela sobre um único assunto”.

“Acho que esse é um dos desafios que temos hoje. Como na sociedade, podemos nos ver como seres humanos inteiros? Uma humanidade que nos trate como pessoas e não como ideias singulares?”

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Uma resposta para “Somos mais do que nossa opinião online (e as outras pessoas também)”

  1. Sim. Bem isso mesmo. Cada um de nós é o que é pela história de vida que carrega. Isso do nascimento até o exato momento em que está conversando numa rede social. Presencialmente o olhar, os movimentos do corpo, por exemplo, podem deixar claro ao interlocutor que o amigo apesar de estar me contando algum fato divertido, ele próprio está com medo, ansioso por uma notícia necessária. A presença do outro, pode se um fator de conforto pra quem, talvez, tenha passado o dia inteiro se sentindo inseguro por algo, que até pode se banal.

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