Passamos mais tempo consumindo mídia do que qualquer outro momento da história humana. Nunca tivemos tanto acesso à informação. Entretanto, nem sempre quantidade quer dizer qualidade. Além de que, algumas vezes, excesso de dados não facilita a comunicação, dificulta.
Estava assistindo a uma aula do professor Thomas E. Patterson esta semana e ele mostrou uma pesquisa na qual jovens foram perguntados sobre notícias do momento. Umas das questões era “quem é o atual primeiro-ministro de Israel?”. Mesmo sendo apresentados a múltiplas alternativas, a maioria não acertou a resposta.
No livro We the People, Patterson explica que estamos passando muito tempo consumindo mídia, mais do que nunca. Mas que a quantidade de alternativas de conteúdo é tanta que muitos acabam não lendo, ouvindo ou assistindo notícias como antes. Por que ver o noticiário se é tão mais fácil ficar se distraindo com bobagens aqui no Instagram? Eu certamente não atiro a primeira pedra.
O problema é que acompanhar os eventos locais e do mundo deixou de ser um hábito. Virou algo que a gente faz entre um like e outro, no meio da pressa ou do tédio. Eu acho isso muito preocupante. Somos engajadíssimos digitalmente mas não estamos lá muito bem informado sobre o que está de fato acontecendo.
A forma que o professor resume o cenário lá nos Estados Unidos me parece bem semelhante ao que vivemos aqui:
“Por meio da TV a cabo e da internet, os americanos podem acessar dezenas de veículos de notícias e um número ainda maior de veículos de entretenimento. Em grande medida, eles controlam o conteúdo ao qual serão expostos. Muitos americanos não têm interesse suficiente em notícias para consumi-las regularmente e, consequentemente, são relativamente desinformados sobre assuntos públicos”.
Thomas E. Patterson é professor de Governo e Imprensa na Escola Kennedy de Governo na Universidade de Harvard, nos EUA.
Foto de Roman Kraft na Unsplash




Deixe um comentário