{"id":74,"date":"2022-09-29T11:11:50","date_gmt":"2022-09-29T11:11:50","guid":{"rendered":"https:\/\/suzanavalenca6.wordpress.com\/2022\/09\/29\/2022-9-29-literatura-digital-no-existe-ainda\/"},"modified":"2022-09-29T11:11:50","modified_gmt":"2022-09-29T11:11:50","slug":"2022-9-29-literatura-digital-no-existe-ainda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/suzanavalenca.com\/?p=74","title":{"rendered":"Literatura digital n\u00e3o existe (ainda)"},"content":{"rendered":"<div class=\"sqs-html-content\">\n<p class=\"\">\u00c9 verdade que lemos ebooks, que compramos obras pela Amazon que s\u00e3o \u201centregues\u201d automaticamente em nossos Kindles, e que j\u00e1 estamos acostumados a falar em livro eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Mas, para a escritora, professora e engenheira Maurem Kayna, uma produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria verdadeiramente digital simplesmente ainda n\u00e3o existe. \u201cA literatura digital ainda est\u00e1 nascendo\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\"><strong>Como assim?<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<h2>Literatura digital x literatura digitalizada<\/h2>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">O que existe e j\u00e1 faz parte do nosso dia a dia \u00e9 a literatura digitalizada. Ou seja, obras liter\u00e1rias que foram escritas para o papel s\u00e3o, atualmente, \u201ctraduzidas\u201d para um meio eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Eu sei que, quando leio <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jane_Eyre\" title=\"Jane Eyre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jane Eyre<\/a> no Kindle, estou desfrutando de uma hist\u00f3ria criada em 1847 e que, s\u00f3 s\u00e9culos depois, foi adicionada em uma ferramenta digital. Mas e agora que estou lendo a vers\u00e3o ebook de <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/CyberStorm-Matthew-Mather-ebook\/dp\/B00BT4QRHG\" title=\"CyberStorm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CyberStorm<\/a>, uma trama futurista escrita em 2013? E a\u00ed? Para Maurem, d\u00e1 no mesmo. <strong>Continua n\u00e3o sendo literatura digital, apenas literatura digitalizada.<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Vamos entender logo a diferen\u00e7a. A literatura digital seria um conjunto de obras feitas especificamente para esse formato. Seriam livros escrito para as ferramentas eletr\u00f4nicas, seriam hist\u00f3rias que funcionariam em sua totalidade apenas online e fariam uso das possibilidades que o mundo conectado apresenta.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">\u201cNo in\u00edcido do cinema, os filmes nada mais eram que pe\u00e7as de teatro filmadas\u201d, diz Maurem. \u00c9 verdade. Em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Le_voyage_dans_la_Lune\" title=\"Viagem \u00e0 Lua\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Viagem \u00e0 Lua<\/a>, considerada a primeira obra da s\u00e9tima arte, a c\u00e2mera nunca se mexe, \u00e9 como se o espectador tivesse sentado na plateia assistindo a uma encena\u00e7\u00e3o teatral. Para a autora, o mesmo acontece agora com a literatura digitalizada. Estamos apenas transferindo conte\u00fado para o meio eletr\u00f4nico, n\u00e3o criando nada espec\u00edfico para plataformas digitais.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Para ela, um livro verdadeiramente digital ainda n\u00e3o existe. Maurem n\u00e3o considera uma hist\u00f3ria online que ganhou, por exemplo, acompanhamento de \u201cextras\u201d como sons ou v\u00eddeos, como literatura digital. &nbsp;N\u00e3o que ela ache ruim, apenas enxerga esses acr\u00e9scimos como \u201cenfeites\u201d para o modelo tradicional, e n\u00e3o necessariamente uma nova forma de fazer literatura.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">\u00c9 isso. <strong>Ainda precisamos encontrar uma nova forma de fazer literatura<\/strong>. Mas Maurem Kayna tentou. Ela escreveu o livro \/ site \/ aplicativo \/ ebook <a href=\"http:\/\/labirintos-sazonais.com\/\" title=\"Labirintos Sazonais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Labirintos Sazonais<\/a>, \u201cuma obra para a esfera digital\u201d. O \u201clivro\u201d mistura literatura com an\u00e1lise combinat\u00f3ria e permite que os leitores escolham diferentes come\u00e7os, meios e fins para a hist\u00f3ria. A narrativa tem quatro \u201ccen\u00e1rios\u201d baseados nas esta\u00e7\u00f5es do ano, ver\u00e3o, primavera, outono e inverno. Multiplicados, as situa\u00e7\u00f5es e as op\u00e7\u00f5es de andamento, totalizam 64 poss\u00edveis hist\u00f3rias em um s\u00f3 livro. Os leitores \/ participantes ainda podem dar um t\u00edtulo para cada um dos contos criados e enviar fotos pr\u00f3prias que ilustrem o que foi contado.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Pode at\u00e9 parece confuso, mas n\u00e3o \u00e9. \u201cFiz uma programa\u00e7\u00e3o no Excel para testar todas as possibilidades e comprovar que cada uma era uma hist\u00f3ria vi\u00e1vel\u201d, explica Maurem. Mas ela at\u00e9 brinca que o resultado n\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia liter\u00e1ria, e sim, um experimento.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">O livro digital de Maurem Kayna \u201ctraduzido\u201d para o papel. Cada aba, uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><strong>Como o leitor l\u00ea na web?<\/strong><\/h2>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p class=\"\">A autora argumenta que o leitor mudou nos \u00faltimos anos. Isso porque todos n\u00f3s mudamos. Nos anos 1990s vimos a populariza\u00e7\u00e3o da Internet. Nos anos 2000s vivemos a era dos blogs que representaram o in\u00edcio da autopublica\u00e7\u00e3o, e agora, nos anos 2010s, estamos no tempo das redes sociais, dos ebooks e do YouTube. <strong>Tudo isso nos torna leitores diferentes.<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Um fen\u00f4meno totalmente digital \u00e9 a possibilidade de um leitor participar de in\u00fameras redes sociais espec\u00edficas sobre literatura. Nesses espa\u00e7os, o usu\u00e1rio pode trocar ideia com outros, mas pode tamb\u00e9m \u201cfalar\u201d com os pr\u00f3prios escritores e, em alguns casos, influenciar no andamento das hist\u00f3rias que est\u00e3o sendo escritas. Aqui do Diga\u00ed, j\u00e1 falamos sobre a<a href=\"https:\/\/www.digai.com.br\/2015\/04\/nana-pauvolih-rainha-da-amazon-brasil\/\" title=\"Nana Pauvolih\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> escritora brasileira Nana Pauvolih, que se tornou um fen\u00f4meno de vendas de ebooks e que iniciou a carreira publicando nessas redes sociais.<\/a><\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Maurem cita ainda o crescimento dos <a href=\"https:\/\/www.digai.com.br\/2015\/08\/booktubers-como-o-youtube-esta-revolucionando-o-mercado-literario\/\" title=\"BookTubers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BookTuberes<\/a>, canais do YouTube que se dedicam a resenhar livros.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Para Maurem, essa possiblidade de troca opini\u00f5es entre usu\u00e1rios (e, por vezes, at\u00e9 com o escritor) \u201c\u00e9 um movimento que tem sacudido os h\u00e1bitos dos leitores\u201d. Ela lembra ainda que o novo leitor, o leitor conectado, \u00e9 um \u201cpolvo\u201d. Ou seja, um ser de v\u00e1rios bra\u00e7os, v\u00e1rios olhos, v\u00e1rias mentes, tentando fazer v\u00e1rias tarefas ao mesmo tempo. Quem se identifica levanta a m\u00e3o. o\/<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Nossa aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 dividida. Sempre. Recentemente, escrevi sobre como <a href=\"http:\/\/www.suzanavalenca.com\/blog\/2015\/7\/14\/o-cara-que-leu-gerra-e-paz-no-celular\" title=\"Ninguem le nada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">as distra\u00e7\u00f5es atrapalham (ou n\u00e3o) nossa capacidade de simplesmente parar para ler um livro<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Para a autora, qualquer artista que se proponha a criar uma literatura realmente digital dever\u00e1 levar esse fator em considera\u00e7\u00e3o. <strong>\u201cIsso vai mudar sim a forma como o autor escreve\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Foto de <a href=\"http:\/\/www.shutterstock.com\/editorial?cr=00&amp;pl=edit-00\">Shutterstock.com<\/a><\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Quem ser\u00e1 a grande refer\u00eancia da literatura digital?<\/strong><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Se ainda n\u00e3o temos uma literatura digital, n\u00e3o nos falta op\u00e7\u00f5es para tentarmos. As ferramentas de autopublica\u00e7\u00e3o s\u00e3o muitas, a exemplo do <a href=\"https:\/\/kdp.amazon.com\/signin?language=pt_BR&amp;ref_=br_psgad4\" title=\"Kindle Publishing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kinlde Direct Publishing<\/a>, do <a href=\"https:\/\/support.apple.com\/en-us\/HT201183\" title=\"Ibook\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ibook Publishing<\/a>&nbsp;e do <a href=\"https:\/\/www.kobo.com\/writinglife\" title=\"Kobo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kobo Writing Life<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Ser\u00e1 que destas plataformas vai surgir o Machado de Assis dos livros digitais? Para Maurem, o \u00fanico impedimento para isso est\u00e1 na qualidade do que \u00e9 publicado. Ganhamos em volume, certamente s\u00e3o produzidos mais livros hoje do que d\u00e9cadas atr\u00e1s, mas perdemos em qualidade. Muito material ganha vida online, mas nem todos s\u00e3o produtos de criadores dedicados.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">\u201cGrandes nomes da literatura mundial como <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Marcel_Proust\" title=\"Proust\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[Marcel] Proust<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Virginia_Woolf\" title=\"Woolf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Virginia Woolf<\/a> &nbsp;s\u00e3o autores autopublicados. Mas eles n\u00e3o escreveram suas obras de uma hora para a outra\u201d<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">\u00c9 poss\u00edvel acreditar que teremos um grande nome da literatura digital, que ser\u00e1 t\u00e3o importante como Proust e Woolf? N\u00e3o sabemos. Ainda. \u201cUm c\u00e2none acontece com o tempo e com o quanto aquela obra influenciou outros. Talvez hoje n\u00e3o possamos responder\u201d, diz Maurem.<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\"><strong>E voc\u00eas, concordam que ainda n\u00e3o temos uma literatura verdadeiramente digital?<\/strong><\/p>\n<p class=\"\"><strong>Como acham que ser\u00e1 o futuro da literatura?<\/strong><\/p>\n<p class=\"\"><strong>O que voc\u00eas est\u00e3o lendo ultimamente?<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;ESTE POST FOI ORIGINALMENTE PUBLICADO NO SITE DIGA\u00cd EM 07\/09\/2015 <\/p>\n<p class=\"\">&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que lemos ebooks, que compramos obras pela Amazon que s\u00e3o \u201centregues\u201d automaticamente em nossos Kindles, e que j\u00e1 estamos acostumados a falar em livro eletr\u00f4nico. &nbsp; Mas, para a escritora, professora e engenheira Maurem Kayna, uma produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria verdadeiramente digital simplesmente ainda n\u00e3o existe. \u201cA literatura digital ainda est\u00e1 nascendo\u201d. &nbsp; Como assim? 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