{"id":156,"date":"2021-07-08T11:00:00","date_gmt":"2021-07-08T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/suzanavalenca6.wordpress.com\/2021\/07\/08\/2021-6-30-guia-para-conversas-difceis\/"},"modified":"2021-07-08T11:00:00","modified_gmt":"2021-07-08T11:00:00","slug":"2021-6-30-guia-para-conversas-difceis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/suzanavalenca.com\/?p=156","title":{"rendered":"Guia para conversas dif\u00edceis"},"content":{"rendered":"<div class=\"sqs-html-content\">\n<p class=\"\">Estamos cansados de saber que xingar e brigar n\u00e3o resolve problema nenhum. \u00c0s vezes, entretanto, nos falta alternativa. N\u00e3o s\u00f3 por falta de paci\u00eanca, mas por falta de repert\u00f3rio mesmo. <strong>Se eu n\u00e3o posso gritar e acusar, qual \u00e9 a melhor alternativa?<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">O livro Comunica\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Violenta traz, logo nas primeiras p\u00e1ginas, uma s\u00e9rie de instru\u00e7\u00f5es muito claras sobre <strong>como ter uma conversa dif\u00edcil que dispensa a parte da briga e vai direto para a resolu\u00e7\u00e3o do problema.<\/strong> Afinal, \u00e9 isso que voc\u00ea quer, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<h2>4 passos para pedir que algu\u00e9m resolva algo com educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"\">S\u00e3o quatro passos simples na teoria e, claro, bem desafiadores na vida real:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p class=\"\"><strong>Dizer qual \u00e9 o problema observado<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p class=\"\"><strong>Dizer como voc\u00ea se sente sobre o problema&nbsp;<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p class=\"\"><strong>Mostrar quais s\u00e3o as suas necessidades&nbsp;<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p class=\"\"><strong>Formular um pedido claro para o outro&nbsp;<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<h2>1 &#8211; Diga qual \u00e9 o problema<\/h2>\n<p class=\"\">Primeiro, voc\u00ea deve descrever a situa\u00e7\u00e3o como voc\u00ea a percebe. \u00c9 importante deixar claro que o que voc\u00ea est\u00e1 contando \u00e9 a sua forma de ver o problema, assim h\u00e1 espa\u00e7o para a outra pessoa manifestar a opini\u00e3o dela.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">O livro d\u00e1 o exemplo de uma m\u00e3e que quer resolver a quest\u00e3o do filho adolescente que est\u00e1 sempre deixando a toalha molhada largada pela da casa. Na primeira fase da conversa, ela deve dizer \u201cobservei que voc\u00ea deixou a toalha molhada no sof\u00e1\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\"><strong>O \u201ctruque\u201d \u00e9 descrever a situa\u00e7\u00e3o de uma forma neutra e fugir de frases acusat\u00f3rias<\/strong> como \u201cvoc\u00ea \u00e9 bagunceiro\u201d ou \u201cvoc\u00ea sempre me irrita com seu desleixo\u201d.<\/p>\n<h2>2 &#8211; Diga como voc\u00ea se sente<\/h2>\n<p class=\"\">O sangue pode estar fervendo, mas \u00e9 preciso partir para a segunda parte com o m\u00e1ximo de calma poss\u00edvel. <strong>Depois de expor o problema, diga como ele faz voc\u00ea se sentir<\/strong>. &#8220;Observei a toalha em cima do sof\u00e1 e isso me deixou chateada\u201d. O livro sugere que, nesse ponto, voc\u00ea tente fugir da estrutura \u201csinto que\u201d e prefira as palavras \u201csinto-me\u201d. O autor entende que, quando dizemos \u201csinto que\u201d, tendemos a expressar uma opini\u00e3o e n\u00e3o um sentimento. \u201cSinto que voc\u00ea deixa a toalha molhada no sof\u00e1 porque n\u00e3o se importa com a organiza\u00e7\u00e3o da casa\u201d, por exemplo. Quando dizemos \u201csinto-me\u201d \u00e9 mais f\u00e1cil completar com uma emo\u00e7\u00e3o. \u201cSinto-me decepcionada com a toalha no sof\u00e1\u201d.<\/p>\n<h2>3 &#8211; Mostre quais s\u00e3o as suas necessidades&nbsp;<\/h2>\n<p class=\"\">Depois de dizer como se sente, <strong>diga o que voc\u00ea precisa naquele momento<\/strong>. A ideia aqui n\u00e3o \u00e9 isentar a outra pessoa da responsabilidade dela, mas focar na nossa necessidade \u00e9 uma maneira mais eficaz e menos violenta de propor algo. Para realmente resolver problemas, faz mais sentido explicar o que voc\u00ea precisa do que xingar o outro. Diga algo como, \u201ceu preciso que a toalha n\u00e3o seja colocada em cima do sof\u00e1 porque valorizo muito viver em um espa\u00e7o organizado\u201d.<\/p>\n<h2>4 &#8211; Fa\u00e7a um pedido claro<\/h2>\n<p class=\"\">Acho esse ponto revolucion\u00e1rio porque, na hora da raiva, queremos extravasar, gritar, xingar, jogar tudo no outro. O problema \u00e9 que \u00e0s vezes at\u00e9 esquecemos de realmente tentar resolver a quest\u00e3o. <strong>O quarto passo da comunica\u00e7\u00e3o clara e n\u00e3o-violenta para conversas dif\u00edceis \u00e9 expressar exatamente o que voc\u00ea precisa que seja feito.&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">No exemplo da toalha, Rosenberg lembra para n\u00e3o terminar o papo dizendo \u201cquero que voc\u00ea seja mais organizado\u201d ou \u201cquero que voc\u00ea cuide da casa tamb\u00e9m\u201d. Essas frases n\u00e3o s\u00e3o objetivas e podem soar como acusa\u00e7\u00e3o, o que far\u00e1 o outro partir para a defensiva. Nesse caso, \u00e9 melhor dizer \u201cpreciso que voc\u00ea coloque a toalha no banheiro toda vez que terminar de us\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<h2>Mais conversas dif\u00edceis, menos brigas<\/h2>\n<p class=\"\">Eu amei os quatro passos e estou tentando us\u00e1-los at\u00e9 nas minhas conversas comigo mesma. Ontem me irritei com a vizinha fazendo barulho tarde da noite e pensei \u201cque mulher mal educada e sem no\u00e7\u00e3o\u201d. Depois tentei formular essa mesma frase na minha cabe\u00e7a, mas focando nas minhas necessidades e n\u00e3o no meu julgamento sobre o outro. <strong>Consegui perceber que o que mais me chateava na bagun\u00e7a ao lado era me sentir invadida e obrigada a brigar para defender o meu espa\u00e7o<\/strong>. Como eu n\u00e3o lido bem com conflitos, o melhor jeito de expressar o abuso com a vizinha sem acus\u00e1-la de nada foi \u201cO barulho na casa dela est\u00e1 muito alto e isso me deixa chateada porque n\u00e3o gosto de ter que fazer reclama\u00e7\u00f5es, mas acho que nesse caso ser\u00e1 necess\u00e1rio\u201d. Ou simplesmente, \u201cestou estressada por ter que sair do meu estado natural de calma\u201d.<\/p>\n<h2>Sim, eu sei que o mundo n\u00e3o \u00e9 fofinho assim\u2026<\/h2>\n<p class=\"\">Infelizmente, nem sempre a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta ser\u00e1 a melhor alternativa. \u00c9 dif\u00edcil aplicar qualquer t\u00e9cnica de di\u00e1logo com quem j\u00e1 decidiu que n\u00e3o quer papo com voc\u00ea. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conversar \u00e9 o melhor caminho. <strong>Em relacionamentos abusivos, ir embora \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"\">Acredito, entretanto, que a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta tem muitas utilidades pr\u00e1ticas e que esses quatro passos resolvem muitos problemas. Estou tamb\u00e9m muito interessada na ideia de <a href=\"https:\/\/www.suzanavalenca.com\/blog\/2021\/6\/17\/vencer-a-discusso-no-resolve-o-problema\">focar nas nossas necessidades e n\u00e3o no erro do outro<\/a>. Infelizmente, estamos vivendo um momento em que <a href=\"https:\/\/www.suzanavalenca.com\/blog\/2020\/11\/24\/vencer-s-o-primeiro-passo?rq=vencer\">apontar o dedo rende mais \u201cibope\u201d do que propor algo<\/a>. <strong>Vamos mudar isso?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"sqs-html-content\">\n<p class=\"\">(Foto: <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/K8XYGbw4Ahg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Priscilla Du Preez, Unsplash<\/a>)<\/p>\n<p class=\"\">Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/www.suzanavalenca.com\/blog\/2021\/6\/17\/vencer-a-discusso-no-resolve-o-problema?rq=vencer\">Vencer a discuss\u00e3o n\u00e3o resolve o problema<\/a><\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/www.suzanavalenca.com\/blog\/2020\/3\/10\/no-converse-para-vencer?rq=vencer\">N\u00e3o converse para vencer<\/a><\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"http:\/\/www.suzanavalenca.com\/blog\/2017\/3\/10\/como-brigar-na-internet-corretamente?rq=Como%20brigar%20na%20Internet%20%28corretamente%29\">Como brigar na Internet (corretamente)<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos cansados de saber que xingar e brigar n\u00e3o resolve problema nenhum. \u00c0s vezes, entretanto, nos falta alternativa. 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